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Babosa
Edição 260 – Jun/07

 

O cheiro forte que a babosa exala pode afastar os mais sensíveis. Mas a planta contém excelentes propriedades indicadas para o tratamento estético,

além de constituir-se em um medicamento sem igual para aliviar problemas

 na pele, como acnes e queimaduras. Planta com função fitoterápica, a babosa

 conta com mais de 300 espécies, mas a aloe vera é a que possui maior valor

 comercial entre todas.

Reidratante e calmante, o gel viscoso dessa espécie ajuda a eliminar a dor

quando aplicado sobre a queimadura. Porém, o produto não pode ser 

misturado  ao látex, que causa irritações na pele.

Atualmente, sobressai a presença de babosa importada

no mercado brasileiro. A produção nacional ainda está aquém da demanda, apesar de a atividade

 ser um bom negócio.

O Cultivo da planta não requer muito trabalho; a capina é o principal cuidado

 que se deve ter com a cultura. Os maiores produtores são o interior de

São Paulo (particularmente o município de Jarinu), Santa Catarina e Nordeste.

Da babosa é possível obter diversos produtos de uso cosmético e medicinal,

pois ela é um ótimo bactericida, cicatrizante e tem capacidade para reidratar

os cabelos e a pele. Mas a planta, que permanece mais de dez anos em

produção, também é cultivada para fins ornamentais. As flores amarelas,

que nascem de um longo pedúnculo que surge no centro das folhas grossas,

embelezam jardins e áreas abertas.

De origem africana, a babosa pertence à família das Liliáceas e é

parecida com o cacto. Também é chamada de caraguatá, erva babosa e aloés.

Quando adulta, produz de 15 a 30 folhas por ano. Elas são carnosas,

firmes e quebradiças, com um líquido viscoso e macio. Na ponta, contam

com bordas cheias de espinhos. É preciso ter cuidado para não se cortar.

As folhas maduras medem de 20 a 50 centímetros de comprimento, oito

centímetros de largura e 3,5 centímetros de grossura, com peso que varia

de 600 a 700 gramas. No primeiro ano, a plantação pode render até

100 quilos por hectare, e chegar a 400 quilos no quinto ou sexto ano.

Nesse período, no entanto, há relatos de produtividade de até uma

tonelada por hectare.

Raio X
Solo: fofo, bem drenado e permeável
Clima: quente
Área mínima: quintais e vasos
Colheita: um ano para o primeiro corte
Custos: a muda varia de 30 centavos a um real
Mãos à obra

Início - Se escolher plantar a variedade aloe vera, fique atento na hora de comprar a muda. A espécie é fácil de identificar, pois é a única babosa a contar com flores amarelas. Fornecedores que oferecem assistência técnica cobram quatro reais por muda, mas há preços na faixa entre 30 centavos e um real.
Ambiente - Solos bem drenados e permeáveis são os mais adequados para o desenvolvimento da babosa. O cultivo da planta se dá bem em regiões de clima seco, pois ela não precisa de água. Embora aceite grande variação de temperatura, desenvolve-se melhor em ambientes quentes.
Local - A região Nordeste possui as melhores condições para o plantio de babosa, quando a finalidade é produzir látex para a extração de aloína (laxante). Lugares secos e áridos, típicos da região, são onde a planta sofre estresse e aumenta a produção do látex.
Propagação - É por meio da técnica vegetativa. Folhas e rebrotos pegam bem em terra fofa. Enfie-os no solo preparado que logo estarão se desenvolvendo, principalmente quando forem os rebentos da planta-mãe e com raiz.
Espaçamento - O melhor espaçamento para pequenas áreas é de 1 x 1 metro. O indicado é cobrir o solo com alguma palhada de arroz ou casca de amendoim, por exemplo -, de maneira a proteger a superfície do solo contra a perda de nutrientes e reduzir o mato nas entrelinhas.
Colheita - A primeira colheita ocorre quando a planta emite novos rebrotos. As demais são feitas a cada ano antes da estação das chuvas, por volta de outubro. Apanhe manualmente; corte somente as folhas periféricas da base, em geral de cinco a seis unidades por planta.
Produção - O volume de suco da babosa pode somar 250 litros em um hectare. A extração envolve mesa de lavagem, separação do látex, desfibrador, prensa e evaporadores. Todos os equipamentos que mantêm contato com as folhas e gel devem ser de aço inox, para evitar oxidação. Apesar de encarecer o processo, trata-se de uma tecnologia simples.

* Pedro Melillo de Magalhães é coordenador da divisão de agrotecnologia do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas Biológicas e Agrícolas da Unicamp; C.P. 6171, CEP 13081-970, Campinas, SP.

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